Se você convive com psoríase, provavelmente já percebeu que os surtos não aparecem do nada. Existe quase sempre algo que os antecede: uma semana de muito estresse, uma noite com bebida, um episódio de dengue. Esses fatores têm nome: são os gatilhos.
Identificar os seus gatilhos pessoais é uma das ferramentas mais poderosas no controle da doença. Não significa que você vai eliminar todas as crises, mas significa que você passa a entender a sua pele e consegue agir de forma mais estratégica.
Neste post, vou falar sobre os principais gatilhos da psoríase e o que dá para fazer em relação a cada um deles. Se quiser entender primeiro o panorama geral da doença, comece aqui: Vivendo com Psoríase: Como Atravessar as Crises com Mais Leveza.
O gatilho mais relatado pelos meus pacientes — e também o mais estudado. O estresse não é só uma sensação ruim: ele provoca uma série de reações no corpo que desregulam o sistema de defesa e alimentam a inflamação. Para quem tem psoríase, isso se traduz diretamente em crises.
O problema é que a relação é cíclica: o estresse piora a psoríase, e ter a psoríase piorando gera mais estresse. Falo com mais profundidade sobre o impacto emocional da psoríase neste post: Psoríase e saúde mental: por que cuidar da mente é parte do tratamento.
Fumar é um dos gatilhos mais relevantes e menos comentados da psoríase. As substâncias tóxicas do cigarro ativam diretamente processos inflamatórios ligados à doença, e o impacto vai além das crises: pessoas que fumam tendem a ter formas mais graves de psoríase e respondem pior aos tratamentos — incluindo os mais modernos.
Parar de fumar é, sem exagero, uma das medidas com maior impacto positivo no curso da doença. Se você fuma e tem psoríase, vale conversar com seu médico sobre estratégias para largar o cigarro — isso faz parte do tratamento.
O consumo de álcool tem ação inflamatória no organismo e pode interferir na eficácia dos tratamentos. Muitos pacientes relatam piora clara nas placas após noites com bebida — e essa percepção é respaldada pela ciência.
Não é uma questão de proibição absoluta para todos, mas de observar como o seu corpo responde. Se você nota uma relação entre o álcool e as crises, reduzir ou eliminar o consumo pode trazer melhora significativa.
Infecções bacterianas, especialmente as de garganta, são gatilhos clássicos da psoríase. Existe um tipo específico da doença — a psoríase gutata, que aparece como pequenas gotas espalhadas pelo corpo — que costuma surgir ou piorar logo após uma infecção de garganta por estreptococo, a mesma bactéria da amigdalite.
Por isso, tratar infecções de forma adequada e rápida é também cuidar da psoríase. Se você percebe que toda vez que pega uma gripe ou infecção de garganta a pele piora, informe seu dermatologista — isso é uma informação importante para o seu acompanhamento. Outras infeções também podem provocar esta piora, como a dengue e o COVID.
Certos remédios de uso comum podem piorar a psoríase como efeito colateral. Os principais são alguns medicamentos usados para pressão e doenças do coração, alguns para transtornos do humor e certos anti-inflamatórios.
Isso não significa que você deve parar qualquer medicamento por conta própria — jamais faça isso. Mas se você começou a tomar algum remédio novo e percebeu piora na pele, leve essa informação ao seu dermatologista e ao médico que prescreveu o medicamento. Ajustes de tratamento podem ser necessários.
A psoríase tem uma característica curiosa: ela pode surgir em áreas onde a pele sofreu algum tipo de trauma — um arranhão, uma picada de inseto, uma queimadura de sol, uma cirurgia, uma tatuagem nova, até o atrito constante de uma roupa apertada. Esse fenômeno tem nome médico, mas na prática significa: proteja a sua pele de lesões sempre que possível.
Prefira roupas de tecidos macios como o algodão, evite coçar as placas e use protetor solar para prevenir queimaduras — que também entram nessa lista.
O inverno costuma ser a estação mais difícil para quem tem psoríase. O frio e o ar seco ressecam a pele rapidamente, e o ressecamento piora a inflamação e a coceira. Nesses períodos, redobrar a hidratação é essencial.
Por outro lado, o sol moderado costuma fazer bem — mas com proteção. Queimaduras solares são um gatilho importante, então a exposição precisa ser feita com cuidado e protetor solar adequado.
Uma estratégia simples e muito útil é manter um pequeno diário da pele: anote quando as crises aparecem e o que aconteceu nos dias anteriores — nível de estresse, alimentação, bebida, medicamentos, clima, infecções. Com o tempo, padrões vão aparecer.
Levar esse registro para as consultas também ajuda muito o dermatologista a personalizar o seu tratamento. Para entender as opções terapêuticas disponíveis hoje, leia: Tratamentos para psoríase: do básico ao mais avançado.
Se quiser conversar sobre os seus gatilhos e montar uma estratégia de controle personalizada, agende uma consulta.
Conhecer a sua pele é o primeiro passo para cuidar melhor dela.
A Dra. Marcella Costa é médica dermatologista, membro titular da Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD) e da Sociedade Brasileira de Cirurgia Dermatológica (SBCD). Com ampla experiência em doenças inflamatórias da pele e tecnologias dermatológicas, ela pode te orientar no tratamento ideal para o seu caso.
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