Uma das primeiras perguntas que ouço no consultório de pacientes com psoríase é: "Tem cura?" A resposta honesta é: a psoríase é uma doença crônica, ou seja, ela faz parte da vida de quem tem. Mas isso não significa que você precisa conviver com as lesões sem controle.
Hoje contamos com uma variedade grande de tratamentos capazes de controlar a doença com muito mais eficácia do que há alguns anos — e muitos pacientes conseguem chegar a períodos longos sem nenhuma lesão visível.
Neste post, vou explicar de forma simples como funciona cada categoria de tratamento, sem termos complicados.
Se ainda não leu o post de introdução da série, comece por aqui: Vivendo com Psoríase: Como Atravessar as Crises com Mais Leveza.
Independentemente do tratamento médico indicado para o seu caso, existe uma base de cuidados que faz diferença para todo paciente com psoríase: hidratação diária da pele.
Manter a pele bem hidratada com cremes emolientes adequados reduz a coceira, amolece as placas e pode diminuir a quantidade de medicamento necessário para controlar a doença. É simples, mas é poderoso. Saiba mais em: Como escolher o hidratante certo para psoríase.
Os tratamentos tópicos são aqueles aplicados diretamente sobre as lesões — cremes, pomadas, géis ou loções com prescrição médica. São geralmente a primeira linha de tratamento para casos mais leves ou localizados.
Existem diferentes tipos, com mecanismos de ação distintos: alguns agem reduzindo a inflamação local, outros diminuem a velocidade com que as células da pele se renovam de forma acelerada — que é justamente o que forma as placas. Há ainda opções que combinam mais de uma ação no mesmo produto.
A escolha do tópico certo depende do local da lesão, da extensão e do perfil de cada paciente. Por isso, a automedicação — especialmente com produtos vendidos sem receita — pode fazer mais mal do que bem a longo prazo, podendo causar atrofia, estrias e até absorção da medicação com impacto em outras partes do corpo.
A fototerapia é um tratamento feito em consultório ou clínica especializada, onde a pele é exposta a um tipo específico de luz ultravioleta de forma controlada. É uma opção eficaz para casos de extensão moderada a ampla, onde os tópicos já não são suficientes sozinhos.
A luz age diretamente nas células inflamatórias da pele, reduzindo a atividade da doença. As sessões são feitas algumas vezes por semana, durante um período determinado pelo médico.
Muita gente associa fototerapia com "tomar sol" — mas não é a mesma coisa. A luz usada no tratamento é específica, em dose controlada e sem os riscos do sol sem proteção. Inclusive, queimaduras solares são um dos gatilhos da psoríase, então exposição sem cuidado pode piorar o quadro.
Para casos moderados a graves — quando as lesões são extensas, afetam regiões sensíveis como rosto e mãos, ou quando a doença está comprometendo muito a qualidade de vida — os tratamentos tópicos e a fototerapia podem não ser suficientes. Nessas situações, entra o uso de medicamentos tomados por via oral.
Esses medicamentos agem de forma mais ampla no organismo, reduzindo a inflamação e desacelerando o processo que forma as placas. Por agirem de forma sistêmica — ou seja, no corpo todo —, exigem acompanhamento regular com exames para monitorar a saúde do paciente.
Cada opção tem seu perfil de benefícios e de pontos de atenção, e a escolha é sempre individualizada. O que funciona muito bem para uma pessoa pode não ser o mais adequado para outra.
Os imunobiológicos são, sem dúvida, o maior avanço no tratamento da psoríase nas últimas décadas. São medicamentos injetáveis, aplicados geralmente uma vez por mês ou com intervalos ainda maiores, que atuam de forma muito precisa no sistema de defesa do corpo.
Em vez de agir de forma ampla como os medicamentos orais, eles identificam e bloqueiam substâncias específicas que causam a inflamação da psoríase. O resultado é uma eficácia muito maior — muitos pacientes chegam a ficar meses ou anos completamente sem lesões ou com pouquíssimas lesões.
São indicados para casos moderados a graves, especialmente quando outros tratamentos não trouxeram resultado satisfatório. Por serem medicamentos mais recentes e de alta tecnologia, exigem avaliação cuidadosa e acompanhamento próximo do dermatologista. Além disso, são medicações que necessitam de receitas especiais e relatórios para serem solicitados ao plano de saúde!
Se você não tem plano de saúde, não se preocupe, temos já 4 destas medicações incorporadas nos protocolos Sistema Único de Saúde, disponíveis para retirada nas farmácias de alto custo.
Cerca de 30% das pessoas com psoríase desenvolvem também uma inflamação nas articulações, chamada de artrite psoriásica. Os sintomas são dor, inchaço e rigidez nas juntas — muitas vezes nas mãos, pés, joelhos ou coluna.
Se você tem psoríase e percebe qualquer desconforto nas articulações, informe seu dermatologista. O tratamento da pele e das articulações pode e deve ser considerado em conjunto, e alguns medicamentos atuam nas duas frentes. Muitas vezes é necessário a avaliação e acompanhamento conjunto com um médico reumatologista nestes casos.
A psoríase é uma doença com muitas faces — cada pessoa apresenta um padrão diferente de lesões, de gatilhos, de intensidade e de impacto na vida. Por isso, o tratamento ideal não existe de forma genérica: ele precisa ser construído para cada paciente, considerando a extensão da doença, as condições de saúde de quem tem, a rotina, as expectativas e os resultados ao longo do tempo.
Conhecer os seus gatilhos também é parte fundamental dessa equação. Leia: Psoríase: os principais gatilhos e como evitá-los. E se o impacto emocional da doença está pesando, veja também: Psoríase e saúde mental: por que cuidar da mente é parte do tratamento.
Se você ainda não tem um dermatologista de confiança, ou se o seu tratamento atual não está trazendo os resultados que você merece, esse é o momento certo de buscar uma nova avaliação. Psoríase controlada é psoríase que não manda na sua vida.
A Dra. Marcella Costa é médica dermatologista, membro titular da Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD) e da Sociedade Brasileira de Cirurgia Dermatológica (SBCD). Com ampla experiência em doenças inflamatórias da pele e tecnologias dermatológicas, ela pode te orientar no tratamento ideal para o seu caso.
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