ROSÁCEA - O QUE É?

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  • Abril 3 2026
  • Dra. Marcella Costa

Queda de cabelo e as canetas emagrecedoras

Se você usa ou conhece alguém que usa medicamentos à base de GLP-1 , como a semaglutida (Ozempic, Wegovy) ou a tirzepatida (Mounjaro, Zepbound), é bem provável que já tenha ouvido falar de um efeito colateral que tem surpreendido muitas pessoas: a queda de cabelo.

Nos últimos tempos, o assunto ganhou força nas redes sociais, com relatos de quem notou aumento significativo da queda durante o uso dessas medicações. E não é exagero: a própria fabricante do Wegovy reconhece, em sua bula, que uma parcela dos participantes nos ensaios clínicos apresentou queda de cabelo. Como dermatologista, tenho recebido cada vez mais pacientes com essa mesma queixa no consultório, e achei importante trazer esse tema de forma clara e honesta para você.

 

Primeiro: o que são os medicamentos GLP-1?

Os GLP-1 agonistas são uma classe de medicamentos que imitam um hormônio naturalmente produzido pelo nosso corpo. Eles reduzem o apetite e ajudam no controle da glicemia, sendo amplamente usados no tratamento do diabetes tipo 2 e da obesidade. Nos últimos anos, tornaram-se muito populares também para perda de peso, mesmo fora dessas indicações formais.

Com o uso mais disseminado, surgem também mais relatos sobre efeitos colaterais que vão além das náuseas bem conhecidas, e a queda de cabelo é um deles.

 

Por que os GLP-1s podem causar queda de cabelo?

A resposta honesta é: a ciência ainda está entendendo isso. Esses medicamentos têm aprovação relativamente recente! Portanto, há muito a ser estudado. O que os especialistas concordam é que a queda de cabelo associada ao GLP-1 é real, mas provavelmente tem mais de uma causa envolvida.

Duas explicações se destacam mais do que as outras. Vamos a elas.

 

O principal suspeito: o eflúvio telógeno

Quando o corpo passa por um estresse físico ou psicológico significativo, ele entra em modo de "economia de energia”, e começa a desacelerar processos que não são essenciais para a sobrevivência imediata. O crescimento dos cabelos é um deles.

Esse fenômeno tem nome: eflúvio telógeno. É o mesmo motivo pelo qual muitas mulheres perdem cabelo após o parto: a mudança hormonal e o esforço do parto funcionam como um gatilho para esse processo. No caso dos GLP-1s, a perda de peso rápida é que funciona como esse "estresse" para o organismo.

O que acontece é o seguinte: mais folículos pilosos do que o normal entram na fase final (chamada de fase telógena) ao mesmo tempo. Alguns meses depois, esses cabelos caem juntos, e aí a pessoa percebe uma queda muito mais intensa do que o habitual. Normalmente, perdemos entre 100 e 150 fios por dia. No eflúvio telógeno, esse número pode dobrar.

Os ensaios clínicos do Wegovy mostraram que a queda de cabelo foi mais frequente entre os pacientes que perderam mais de 20% do peso corporal em cerca de um ano e meio. Ou seja: quanto mais rápida e intensa a perda de peso, maior o risco. Isso sugere que, em muitos casos, o problema pode não ser o medicamento em si, mas o ritmo com que o corpo está emagrecendo.

 

Comer menos também pode ser um problema

Um dos efeitos mais marcantes dos GLP-1s é a redução do apetite. Um estudo de 2025 mostrou que, em média, as pessoas que tomam essa medicação consomem cerca de 700 calorias a menos por dia do que consumiriam normalmente. Isso favorece o emagrecimento, mas pode trazer uma consequência indesejada: a deficiência de nutrientes e vitaminas essenciais para a saúde dos cabelos.

Ferro, zinco, proteína e vitamina D são alguns dos principais. Com deficiências de vitaminas e nutrientes, o cabelo percebe que os materiais para crescer não estão chegando, e reage a isso.

 

A boa notícia: é temporário

Se você está passando por isso, respira fundo: na grande maioria dos casos, a queda de cabelo associada ao GLP-1 é temporária. Quando o peso se estabiliza e o organismo deixa de perceber aquele estado de "alerta", os folículos retomam o ciclo normal de crescimento e os cabelos voltam a crescer.

Dito isso, é importante ter paciência. O cabelo não volta da noite para o dia, especialmente para quem tem cabelos mais longos. Pode levar vários meses para que você perceba uma diferença visível na densidade.

 

O que você pode fazer enquanto isso?

Mudar os hábitos de penteado, evitar chapinha ou descolorir o cabelo são atitudes sempre bem-vindas para preservar a saúde dos fios, mas elas não vão resolver a queda relacionada ao GLP-1, porque não atuam na causa raiz do problema. O que pode ajudar de verdade:

Converse com seu médico abertamente: Cabelo é algo muito pessoal, e a forma como a queda afeta sua autoestima também faz parte do quadro clínico. Pode ser uma oportunidade para discutir, por exemplo, a possibilidade de reduzir temporariamente a dose do medicamento para desacelerar a perda de peso e dar ao corpo mais tempo para se adaptar.

Priorize proteína e nutrientes: Peça ao seu médico para solicitar exames e verificar se há deficiências de ferro, zinco ou vitamina D. Se houver, reposição alimentar ou com suplementação pode ser indicada. Mesmo sem exames, caprichar numa dieta rica em proteínas magras, vegetais, grãos integrais e frutas já faz diferença, especialmente quando se está comendo em menor quantidade.

Cuidado com suplementos "para cabelo”: Há uma infinidade de produtos no mercado prometendo milagres para a queda de cabelo, mas as evidências científicas por trás da maioria são frágeis. A regulação de suplementos é menos rigorosa do que a de medicamentos, e empresas podem fazer promessas sem respaldo real. Use apenas o que for indicado ou aprovado pelo seu médico.

Identificar outras causas de queda e afinamento: A queda pode estar evidenciando um problema que você já tinha e que precisa de ser tratado com medicações. Queda de cabelo é um sintoma que merece diagnóstico, por meio de consulta com anamnese, exame físico e tricoscopia.

 

O que levar daqui

A queda de cabelo durante o uso de GLP-1 é um efeito colateral real, mas que tende a ser temporário, especialmente quando está ligada ao ritmo de emagrecimento. A melhor estratégia é uma combinação de paciência, alimentação cuidadosa e acompanhamento médico próximo.

Se você está percebendo queda de cabelo e usa esse tipo de medicação, não minimize o que sente. Procure um dermatologista. Existem recursos para ajudar nesse processo, e você não precisa esperar passivamente.

Cuidar do cabelo também é cuidar da sua saúde, e da sua autoestima.

 

Agende sua consulta com quem entende do assunto

A Dra. Marcella Costa é médica dermatologista, membro titular da Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD) e da Sociedade Brasileira de Cirurgia Dermatológica (SBCD). Com ampla experiência em doenças inflamatórias da pele e tecnologias dermatológicas, ela pode te orientar no tratamento ideal para o seu caso.

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